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23 setembro, 2012

12 setembro, 2012

75 dias

Tarcísia de Paula - Colunista de  poemas


Ao atravessar a rua movimentada,
Em meio a tantos pedestres apressados
Recolocou seus fones de ouvidos
Enquanto olhava os carros parados.

Chegando ao outro lado, admirou-se
Parou para ver o Porsche que se destacava,
Mas ficou sem graça, ao perceber
Que o motorista daquele blindado o observava.

Aluno do 3° ano, e gostava de carros
De sonhos, sua mente era farta.
Muito inteligente e detalhista,
Porém timidez era a sua marca.

Por isso, desviou o olhar rapidamente,
Mas sentiu que seu equilíbrio vacilou
Quando se virou para a loja de conveniências...
E seu olhar sobre o dela pousou.

Tomas entrou, e só pelo prazer de vê-la
Comprou e pediu para embrulhar um presente.
Fascinou-se com aqueles olhos verdes.
Estava apaixonado pela nova atendente.

Nos outros dias entrou e comprou coisas inúteis
E ela fazia seu embrulho, sempre a sorrir
Ele chegava em casa e colocava-os num canto.
Amava-a, mas não a chamou para sair.

E durante 75 dias temeu
Ser dispensado pela delicada Rita
Mas ele não imaginava o que aconteceria
O que aconteceu naquela tarde maldita.

30 julho, 2012

O Fenômeno

Existe um fenômeno
Que ninguém entende por completo
Não sei se é assim tão sério
Ou se é um simples objeto

Está entre tempo e incerteza
Se define entre o breve e a eternidade
É através dela que caminhamos
À procura sedenta da felicidade

Para alguns,representa trevas
Para outros,na alegria ela consiste
Eu ainda não descobri o que é
Eu já nem sei se ao certo existe

21 julho, 2012

Expressão muda

Sabes tu que amo tanto
Que eu não vivo sem você.
Também sabes que desejo,
Cada parte do teu ser.

Mas teu sorriso implacável
É o que procura meu olhar
Não sossega minhas lembranças,
E faz meu peito palpitar.

Tua boca é para mim
Um vício profundo e incontrolável
Pois é cheia de mistérios,
E uma sutileza incomparável

10 julho, 2012

O dia em que te vi

Era um lugar estranho.
Abri os olhos e te vi
Onde era, não sei
Mas você estava ali.

Parecia um paraíso
A cena que eu avistava
Mas entre tanto requinte,
Era você quem se destacava

Naquela hora chovia muito
Mas intacto você continuava
Cada parte de você
Meu olho reparava

Sua pele molhada
Irradiava perfeição
As gotas que sobre ti caíam
Iam orgulhosas para o chão

E eis que, de repente,
As nuvens se dissiparam
Do sol que se mascarava,
Os gloriosos raios brilharam

24 junho, 2012

Existência fictícia - poema


Eu sou aquela que desconhece a estabilidade,
Sou um projeto que busca a existência.
Eu sou fruto consagrado da anomalia,
Sou a filha consangüínea da indiferença.

A estrada que caminho é a esperança
O vento que me assopra é a certeza
Confiança é o nome do meu chão
O meu céu atende pelo nome de fortaleza.

Eu sou aquela que está acima do superior
E que se curva diante da simplicidade
Eu sou aquela que duvida der um fato
Mas que faz da expectativa, uma verdade.

Sou a imperfeição expressa em carne humana
A única indigna de admiração
Eu rendo a Deus o meu louvor absoluto
Eu sou oculta, sou indigente, conspiração

Eu não tenho sequer identidade,
Não tenho certezas, personalidade, nem coração.
Eu fui feita apenas de sentimentos
Eu sou o pleno ápice da indistinção...

Tarcísia de Paula - Colunista
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